Ser Product Owner não é sobre escrever histórias de usuário nem organizar backlog. Isso é parte do trabalho, mas não é o núcleo. O núcleo do papel do PO é decidir. Decidir o que entra, o que não entra, o que espera e o que nunca vai acontecer.
Priorizar é, essencialmente, escolher perdas. Toda decisão de priorização carrega um custo de oportunidade. Quando isso não está claro, o backlog vira um repositório de expectativas frustradas.
Um bom PO entende que não existe produto sem renúncia. Não existe roadmap sem exclusão. Não existe foco sem corte. A tentativa de agradar todo mundo gera produtos genéricos, inchados e sem identidade.
Marty Cagan (risos, by quinta série) fala muito sobre isso ao tratar do papel estratégico do product management. Produto não é sobre construir mais, é sobre construir melhor. E isso exige dizer não com frequência e com critério.
Prioridade não é volume de pedidos, é impacto. Não é quem grita mais alto, é quem gera mais valor. Não é pressão política, é leitura estratégica.
Trade-offs bem feitos exigem dados, pesquisa, visão de negócio e entendimento real do usuário. Exigem também coragem. Porque toda boa decisão de produto desagrada alguém.
O PO que tenta evitar conflito perde relevância. O PO que sustenta decisões com clareza constrói confiança. A função não é agradar stakeholders, é gerar valor sustentável.
Outro ponto essencial é comunicação. Decidir não basta. É preciso explicar. Tornar a lógica visível. Mostrar critérios, impactos e racional. Quando as pessoas entendem a decisão, mesmo que discordem, elas respeitam.
Produto forte nasce de foco. Foco nasce de escolhas. E escolhas nascem de clareza de propósito.
No fim, ser PO é ser guardião da direção, não do backlog.
