Existe uma falsa disputa entre pesquisa qualitativa e quantitativa. Como se uma fosse melhor que a outra. Na prática, elas respondem perguntas diferentes.
Pesquisa qualitativa ajuda a entender o porquê. Motivações, dores, percepções, sentimentos, expectativas. Ela aprofunda. Ela dá contexto. Ela revela padrões invisíveis nos números.
Pesquisa quantitativa ajuda a entender o quanto. Frequência, volume, escala, impacto, comportamento em massa. Ela valida. Ela dimensiona. Ela dá proporção.
Uma sem a outra gera distorção. Só qualitativa gera visão limitada. Só quantitativa gera leitura superficial.
Jakob Nielsen sempre reforça isso ao falar de usabilidade e pesquisa. Pequenos grupos revelam padrões, grandes grupos validam tendências. As duas abordagens se complementam.
Saber quando usar cada uma é a maturidade do produto.
Quando você está explorando um problema, entendendo contexto, descobrindo oportunidades, a qualitativa é mais rica. Quando você está validando hipóteses, testando soluções, medindo impacto, a quantitativa ganha força. O erro comum é inverter. Tentar validar o que ainda não foi entendido. Ou explorar o que já está claro.
Outro ponto importante é que pesquisa não substitui estratégia. Ela informa decisões, não toma decisões. Dados não pensam sozinhos.
O valor está na interpretação, na síntese e na capacidade de transformar informação em ação. Pesquisa boa não é a que gera mais dados. É a que gera mais clareza.
